segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Andreas Kisser celebra 32 anos do Sepultura e fala sobre novo disco e documentário em homenagem aos 32 anos da banda

A história do metal brasileiro está diretamente ligada à carreira do maior grupo brasileiro do gênero: o Sepultura. De 1984, quando foi fundado, até os dias de hoje, muita coisa aconteceu na história da banda e dos seus integrantes. São 32 anos de carreira, shows em 76 países diferentes, 13 discos de estúdio, três EPs, três discos ao vivo, além de coletâneas e homenagens em tributos e prêmios. Para manter o conquistado respeito mundial e seguir em atividade, foi preciso superar crises, mudanças na formação, troca de empresários e gravadoras. 


"O Sepultura respeita o passado, uma história fantástica, mas está na ativa construindo o futuro"
“O Max saiu em 96, levando empresário, confiança da gravadora e praticamente toda estrutura que o Sepultura demorou 10 anos para construir ficou com ele. A gente teve que reconstruir toda a nossa história e estamos aqui celebrando 32 anos”, dispara o guitarrista Andreas Kisser, em entrevista ao Vitrolanews e BDG por telefone.

Vivendo uma das melhores fases da história, Andreas Kisser, Paulo Jr., Derrick Green e Eloy Casagrande se preparam para dois grandes lançamentos em 2017: Machine Messiah, 14º álbum de estúdio, e o documentário ‘Sepultura – O Filme’, em comemoração às três décadas. A banda também já tem turnê confirmada na Europa e América do Norte. Até agora já são 62 shows agendados entre fevereiro e maio. 


"A gente não tem intenção de ficar lavando roupa suja. É simplesmente o fato de mostrar o que é essa banda que veio do Brasil, por que influenciou e continua influenciando tanta gente e mostrar que estamos muito na ativa"
“Estou muito feliz com esse disco e também com a próxima turnê. Já estamos fazendo os ensaios do álbum e a sonoridade está muito diferente de tudo que a gente fez. Todo disco do Sepultura tem essa característica de trazer algo novo e diferente”, afirma Kisser. Segundo o músico, a expectativa também é grande para o lançamento do filme: “além de uma comemoração é uma oportunidade de contar uma parte da história que ficou meio obscura para muita gente”.

Machine Messiah foi inspirado pelo processo de robotização da sociedade e será lançado no dia 13 de janeiro de 2017, pela Nuclear Blast Records. Produzido pela banda e o experiente Jens Bogren, que já trabalhou com Soilwork, Opeth, Katatonia Kreator, Paradise Lost e Amon Amarth, o disco foi gravado em Örebro, na Suécia. 


"O metal sempre foi organizado e aqui no Brasil tem muita banda excelente. O Sepultura foi o pioneiro de levar o metal do Brasil para fora, mas hoje você vê bandas como Krisiun, Claustrofobia, Torture Squad, Nervochaos, Ratos de Porão, todo mundo tocando fora do Brasil, fazendo turnês e se dando bem"    
Já o documentário, dirigido por Otávio Juliano e Juliana Ferraz, conta a história da banda, passando por todas as fases, a partir da formação atual. O filme foi gravado durante sete anos e teve mais de mil horas de imagens captadas. "A gente não tem intenção de ficar lavando roupa suja. A ideia é mostrar que o Sepultura é uma banda ativa, que respeita o passado, uma história fantástica, mas que está aqui hoje construindo o futuro, agora", enfatiza Andreas.

Confira abaixo os principais trechos da entrevista com o guitarrista ou clique aqui para ouvir a conversa na íntegra.

‘I Am The Enemy’, primeiro single, diz em um dos versos “Reúna-se consigo mesmo, Reconecte-se com nós mesmos”. Seria um recado aos fãs que a banda está de volta às suas origens?

‘I Am The Enemy’ não tem nada a ver com isso. ‘Reunite e Reconnect’ tem a ver com um âmbito muito mais geral, do ser humano se conectar um pouco mais com a natureza e não ser tão escravo dos robôs, que na verdade é o tema geral do disco. Machine Messiah aborda a robotização da sociedade e não num termo meio syfy futurista. É o que a gente vê aqui hoje, com os smartphones, computadores, GPSs, Google Glasses...A galera vai no show e fica filmando em vez de curtir, famílias que vão para o restaurante e não se falam, mas está todo mundo com o celular na mão. Enfim, é mais por esse aspecto. E ‘I Am The Enemy’, mais especificamente, é você não culpar as coisas de fora, ou não culpar outras pessoas, outras situações pelos seus próprios erros e enganos.

Sepultura – O Filme
O documentário passa, obviamente, por todas as partes da história da banda. Mas a intenção é mostrar o que a banda é hoje. Porque que a gente está aqui ainda depois de tantas mudanças. O Max saiu em 96, levando empresário, confiança da gravadora, praticamente toda estrutura que o Sepultura demorou 10 anos para construir ficou com ele. E a gente teve que reconstruir toda a nossa história e estamos aqui celebrando 32 anos. A gente não tem intenção de ficar lavando roupa suja. É simplesmente o fato de mostrar o que é essa banda que veio do Brasil, por que influenciou e continua influenciando tanta gente e mostrar que estamos muito na ativa.

Estrada e vida de músico
O filme é interessante não só para os fãs do metal ou do Sepultura, mas para as pessoas em geral, que vão poder ver como é ter uma banda, ter uma família junto com isso, de ficar em turnê, meses fora de casa viajando o mundo. Mostra que é uma profissão que tem que ter muita dedicação, responsabilidade, ensaio. A responsabilidade de entrar na hora certa. Enfim, mostra que o metal, que para muita gente é só barulheira e zoeira, não é isso e tem que ter muita dedicação.

Arrependimentos
Arrependimentos eu acho que não existem. Porque eu acho que os erros e as coisas que a gente agora discorda ou teria feito de uma forma diferente são, justamente, para a gente aprender. São processos de aprendizado. Quando uma porta se fecha, dez outras se abrem. O lance é levantar a cabeça e ver as novas oportunidades. A entrada do Derrick foi isso. A gente não teve a intenção de procurar um clone do Max e tentar fazer as coisas iguais para tentar enganar os fãs ou fazer o que a gravadora queria. A gente fez o que tínhamos de fazer e aproveitar e usar as características novas e viver o presente. Arrependimento seria estar naquele lugar ainda, sofrendo por uma coisa que não vale a pena, perder energia no passado. Ao invés de botar toda energia aqui e agora e ver realmente aquilo como um aprendizado e é o que é. Como eu falei, fecha um porta e abrem dez outras. 

Nova Turnê
A gente já tem uma turnê marcada na Europa, de fevereiro a março, com o Kreator, SoilWork e Aborted. Depois em abril vamos para os EUA e Canadá, tocaremos com o Testament e o Prong, por cinco ou seis semanas. Também estamos fechando os festivais de verão pela Europa e vendo como vamos encaixar o Brasil também para o próximo ano.


A cena metal hoje
A cena metal está mais forte do que nunca, a exemplo do Metallica saindo com um disco muito bom. Bem recebido, com uma estratégia super nova, mostrando outros caminhos de como lançar um disco e como fazer as coisas. Enquanto outros estilos estão lançando uma faixa, duas, no mundo metal ainda tem a tradição de álbuns, que contam uma história, tem uma sequência das músicas. O metal sempre foi organizado e aqui no Brasil tem muita banda excelente. O Sepultura foi o pioneiro de levar o metal do Brasil para fora, mas hoje você vê bandas como Krisiun, Claustrofobia, Torture Squad, Nervochaos, Ratos de Porão, todo mundo tocando fora do Brasil, fazendo turnês e se dando bem, tendo essa organização que muita gente não consegue enxergar.

O que os fãs ainda podem esperar do Sepultura?
Podem esperar sempre dedicação total naquilo que a gente faz, uma busca honesta porque a gente faz aquilo que a gente gosta e se prepara para isso, para fazer sempre o melhor. Estou muito feliz com Machine Messiah. Já estamos fazendo os ensaios do álbum e a sonoridade está muito diferente de tudo que a gente fez. Todo disco do Sepultura tem essa característica de trazer algo novo, algo diferente.

Recado para os fãs
Aos fãs sempre é uma gratidão eterna. No ano passado nós fizemos uma música -Sepultura Under My Skin - especialmente para celebrar os 30 anos e uma homenagem aos fãs, principalmente aqueles que tem uma tatuagem do Sepultura na pele. Foi nossa humilde homenagem aos fãs. A gente tem muita sorte de ter fãs como os do Sepultura. Eles que mantém a banda viva por 32 anos, nos momentos bons e ruins, e sem eles não seria nada possível. E agora em 2017 a gente espera rever todo mundo, também ver gente nova que está chegando agora para ver o Sepultura pela primeira vez.

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