quinta-feira, 1 de junho de 2017

Álbum conceitual dos Beatles, Sgt. Pepper’s faz 50 anos

'Álbum laboratório' foi um experimento de Paul McCartney, e teve o objetivo de explorar o amadurecimento da banda 


Por Claudio Carneiro

Nesta quinta-feira, 1º de junho, fãs dos Beatles em todo o mundo comemoram os 50 anos do lançamento do álbum considerado um dos maiores ícones da música britânica: o Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band. Sucesso imediato de música e de crítica, o álbum conceitual saiu da cabeça de Paul McCartney – pressionado que estava pelo padrão de superexposição comercial imposto pela gravadora EMI.

McCartney teve a ideia de criar uma banda alterego e uma obra na qual pudesse experimentar o amadurecimento artístico dos quatro rapazes de Liverpool. O produtor George Martin aproveitou a oportunidade para testar novas técnicas de gravação. Resumindo, o Sgt. Pepper’s era um laboratório. Em depoimento para a Enciclopédia Oxford de Literatura Britânica, o professor Kevin J. Dettmar descreveu a obra como “o mais importante e influente álbum de rock and roll alguma vez gravado”.

Em Sgt. Pepper’s foi usado, pela primeira vez, um novo instrumento de teclado, o Mellotron, uma espécie de irmão mais velho dos sintetizadores, concebido na cidade inglesa de Birmingham. O disco marca também – mesmo que de forma trágica – o fim do desgastante relacionamento de Paul, John, George e Ringo com o empresário Brian Epstein – que insistia numa cansativa agenda de shows e de entrevistas. Ele morreria dias depois – em 27 de agosto – por overdose de Carbitol.

Pode-se dizer também que os dias que antecederam a concepção de Sgt. Pepper’s foram importantes para todos os integrantes dos Beatles. Foi neste período que o desgaste de shows e de brigas com Epstein provocou forçadas e merecidas férias de sete semanas. Nesse período, John Lennon conheceu Yoko Ono na cidade de Westminster, Paul e Martin trabalharam juntos na criação da trilha sonora do filme “The Family Way”, George Harrison foi dissuadido da ideia de deixar a banda e foi à Índia estudar cítara com Ravi Shankar, enquanto Ringo Starr aproveitou o período para ficar com a mulher, a cabeleireira Maureen, e o filho Zak – hoje respeitado baterista.

A obra e suas cifras

Os números de Sgt. Pepper’s são impressionantes. Foram quatro prêmios Grammy em 1968, 27 semanas no topo das paradas na Grã-Bretanha e 15 semanas nos Estados Unidos. Segundo números de 2014, o Sgt. Pepper’s integra a lista dos discos mais vendidos da história da música, com mais de 30 milhões de cópias. Ainda hoje, a obra é uma das mais ouvidas da discografia da banda – segundo a plataforma de streaming Spotify. O Brasil é o quarto país que mais ouve o álbum, atrás somente dos Estados Unidos, do Reino Unido e do México. O Spotify revela que “Lucy in the Sky With Diamonds”, “A Day in the Life” e “With a Little Help From My Friends” são as faixas mais reproduzidas do disco aniversariante.

Orçada em três mil libras – 60 vezes mais cara que as da época -, a capa icônica de Sgt. Pepper’s rendeu ao artista plástico Peter Blake o Grammy de “melhor capa de álbum”. Trata-se de uma colagem – com 57 fotografias – que estabeleceu definitivamente o conceito de álbum na música pop. Ali estão Bob Dylan, Fred Astaire, Karl Marx e ainda os psiquiatras Sigmund Freud e Carl Jung, as atrizes Marilyn Monroe e Mae West, os humoristas Stan Laurel, Oliver Hardy e W.C. Fields, os escritores Oscar Wilde, Edgar Alan Poe e Aldous Huxley, o ator Tony Curtis, o primeiro baixista dos Beatles, Stuart Stucliffe, entre outros. As imagens de Adolf Hitler e Jesus Cristo foram sugeridas por John “sempre ele” Lennon, mas ficaram de fora.

Melhor assim.

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