sábado, 21 de novembro de 2015

P.U.S.: de promessa a maior fiasco do metal nacional

Rodrigão, Selvagem, Syang e Ronan em divulgação do álgum Sin Is The Only Salvation
Quem viveu de perto a cena underground e metal brasileira nos anos 90, nunca se esquecerá (por bem ou mal) da banda brasiliense P.U.S. - Porrada Ultra Suicida. Formado em 1987, o grupo liderado por Ronan tinha, ainda, Simone Death (mais tarde Syang, aquela que ficou conhecida na casa dos artistas, no SBT) nas guitarras, e os excelentes músicos: Selvagem, no baixo, e Rodrigão, na bateria. 


Inicialmente, a banda trazia no currículo influências que iam de Slayer e Sodom a Death, Devastation, D.R.I. e S.O.D. O cartão de apresentação, o EP “Third World” (1990), que continha as músicas “Mosh”, “Homicidal Paranoid”, além da faixa título, era uma porrada única. Apesar da gravação precária, o trabalho trazia uma consistência que não demorou a despertar o interesse dos bangers e das gravadoras independentes. Tanto que, em 1991, o P.U.S. gravou o primeiro disco, homônimo, que caiu nas graças dos críticos e do público.

Em 1993 a banda lançou o split “Third World / XXX”, ao lado dos mineiros do Sextrash. Neste ano, o grupo passou a ser convidado para grandes festivais e dividiu o palco com nomes como Krisiun, Korzus, Volkana, The Mist e Kreator. A banda começava a alcançar o seu ápice produtivo e técnico. 

Já como uma produção caprichada, o quarteto brasiliense lançou, pela extinta gravadora Eldorado, o álbum “Sin Is The Only Salvation”, em 1994. Apesar do disco já apresentar uma mudança considerável em relação aos trabalhos anteriores, com uma pegada mais próxima do thrash do que o death metal, era um som muito maduro e competente. O álbum foi mencionado, por quase todas as publicações especializadas da época, destaque do metal nacional e elevou a banda a um novo patamar. Com "Sin is The Only Salvation" o P.U.S. garantiu presença em festivais na Europa e abertura de shows para o Anthrax e Fight, no Brasil.
Divulgacão do primeiro álbum

Quando parecia que a banda caminhava para se tornar de vez um dos grandes nomes da cena brasileira, algumas coisas ruins aconteceram. O baixista Selvagem fraturou a perna gravemente. Apesar de ter feito muitos shows sentado no palco (literalmente), o músico não resistiu e precisou se afastar. Para o lugar dele foi convocado Fred (ex-Restless). Com Fred a banda lançou, em 1996, Presets, o álbum que arruinaria de vez o P.U.S.. O disco misturava metal com música eletrônica e batidas tribais. Se a intenção era fazer algo como o Roots do Sepultura, erraram feio.

Em um tentativa desesperada de agradar aos produtores e conseguir arrecadar algum trocado, o P.U.S. deixou de ser a Porrada Ultra Suicida para virar uma banda "primitiva moderna", como passaram a se autointitular. Apesar do fiasco, Presets anda teve como destaque a música "Seu Verino", que contava de maneira bem distorcida uma parte da história do ex-baixista Selvagem. Uma grande injustiça.

Sem aguentar a pressão negativa e todas as críticas, não demorou muito para que a banda encerrasse suas atividades, no fim dos anos 90. Em 2003, Ronan ainda tentou ressuscitar o P.U.S. com uma formação totalmente nova, mas sem sucesso. 

É inegável a grande contribuição do P.U.S. para o metal nacional e, principalmente, para a cena underground em Brasília. O grupo foi responsável por produzir alguns dos principais shows da capital, como Sepultura, Kreator, Suicidal Tendencies. Mas, apesar de toda a contribuição prestada, a banda sempre amargará o fiasco da mudança. 

Abaixo a banda em dois momentos. No primeiro tocando a clássica música Mosh, do primeiro álbum, no The Super Metal Festival, em São Paulo, e o clipe de "Seu Verino", do último disco.


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